A beleza da imperfeição


A percepção do belo está sempre mudando. E isso se deve ao fato dos padrões de beleza e suas referências estarem em constante mudança.


Desde a Antiguidade, o culto ao belo faz parte da cultura de diferentes sociedades. Cada época e lugar estabelecem critérios para definir o que é considerado belo. E, ao olhar para a história, é possível verificar que o conceito é mutável, subjetivo e depende do contexto histórico, social e cultural em que está inserido.


Nas últimas décadas, as indústrias do cinema, da moda e da beleza se tornaram grandes referenciais na construção de um ideal de beleza feminina. A massificação desse ideal pela mídia faz com acreditemos que existe um padrão a ser seguido e que precisamos nos esforçar pra nos assemelhar a ele, a qualquer custo. E esse padrão tem idade, cor de pele, tipo de cabelo, medidas corporais e um estilo de vida invejável.


Sabe qual é o resultado disso? Uma sociedade insatisfeita e insaciável! Terreno fértil para tratamentos estéticos, cirurgias plásticas, programas de emagrecimento milagrosos, cosméticos que prometem rejuvenescer, aumento no consumo de remédios para ansiedade e depressão, consultórios psicológicos lotados e por aí vai. Existe um mercado enorme interessado em fazer com que as pessoas acreditem que se elas não chegarem nesse padrão, é porque não tentaram o suficiente e não são boas o suficiente.


E como a pressão sobre a mulher em relação à beleza sempre foi grande, nós acabamos sendo influenciadas (muitas vezes sem percebermos) a repetir o comportamento de artistas, celebridades, influencers (que precisam estar dentro do padrão, sob a pena de não serem selecionadas para o próximo filme, a próxima novela, a próxima campanha de marketing, a próxima parceria comercial...) para que sejamos vistas e valorizadas.


“Envelhecer é simplesmente outra palavra para viver”. (I Am book)

Não dá pra evitar o envelhecimento. Se há uma certeza na vida é: nós vamos envelhecer! A cada dia! Mas só nos damos conta disso quando chegamos perto dos 40 anos, onde alguns sinais se tornam visíveis e quase que num passe de mágica, nos tornamos invisíveis. O mercado de trabalho não nos enxerga, a mídia não nos enxerga, as marcas não nos enxergam, os homens também não nos enxergam. Fica até difícil acreditar realmente que estamos vivas!


Pois é justamente nessa fase da vida que começamos, de maneira geral, a nos apropriar da nossa essência. Podemos até não saber ainda o que queremos (afinal de contas somos seres em construção), mas já sabemos o que não queremos (e isso vale muito!). Estamos mais fortes, mais independentes, mais seguras. Mas por que ainda ficamos presas a esse tipo de pressão?


Eu sei, foram muitos anos lutando pelos mesmos direitos, por espaço, por leis, por salários, por oportunidades. E ainda continuamos nesse processo. Mas não precisamos ficar escravas da nossa aparência para provar nada pra ninguém.


O nosso valor e a nossa beleza estão em nossa história. Autoconhecimento, autoconfiança, aceitação, superação e reinvenção precisam de tempo. Marcas e cicatrizes contam histórias. Não podemos ficar escravas de uma beleza vazia. De uma beleza que se vê em capas de revistas e campanhas de marketing. Quem definiu que rugas, cabelos brancos e uns quilinhos a mais são sinais de imperfeição? Com certeza essa pessoa morreu no auge da sua juventude! Ela (e por que não dizer Ele) não teve a oportunidade de viver uma vida real e longa.



Não tem nada mais bonito que uma mulher confiante, segura e com um sorriso largo. Uma mulher que se joga de cabeça pra conquistar o que ela deseja. Uma mulher que não fica se desculpando ao tomar decisões que são importantes pra ela. Uma mulher que diz não para os outros para poder dizer sim pra ela. Uma mulher que aprende com as crises e adversidades da vida. Uma mulher que não desiste. Uma mulher que respeita seus limites. Uma mulher livre pra ser quem ela quiser. Isso minhas caras, é BELEZA REAL!


Desde que criei essa plataforma, tenho pesquisado bastante para criar conteúdos de qualidade e que tragam um impacto positivo na vida de mulheres acima dos 40 anos. Numa dessas pesquisas eu me deparei com um projeto maravilhoso criado pela fotógrafa alemã, radicada na França, Angelika Buettner, chamado I AM – themovement.com. O projeto surgiu com a ideia de fotografar as mulheres esquecidas pelas indústrias da moda e do cinema. Ou seja, nós, mulheres acima dos 40. De diversos tipos físicos, etnias, estilo de vida e histórias. Todas nuas. Sem camadas de proteção. Só essência. Daí nasceu o livro I AM.

Um livro com 121 fotografias e histórias expressando quem realmente são essas mulheres. Com toda a sua vulnerabilidade e verdade.


“A compilação resultante das vozes femininas oferece percepções e perspectivas profundas sobre as mulheres, muitas vezes esquecidas ou invisíveis pela mídia tradicional. Suas histórias representam décadas de introspecção, erros, desafios e lições que renderam reinvenção, resiliência, paciência, auto aceitação, autenticidade, confiança e liberdade.” (trecho do livro I AM - Karen Williams)


A partir do livro, nasceu o movimento I AM – themovement.com, onde convida mulheres acima dos 40 a compartilhar suas histórias na plataforma do próprio movimento www.iam-themovement.com

E eu quero te convidar a fazer parte desse movimento, que nos encoraja e fortalece. Que está totalmente alinhado ao propósito dessa plataforma criada por mim, a fim de se tornar uma comunidade para mulheres acima dos 40 anos, onde possamos compartilhar experiências, desejos, anseios, histórias, aprendizados e crescermos juntas. Sem julgamentos. Só empatia, inspiração e encorajamento.