Quando a vida te der limões, faça uma limonada!

Você já se sentiu diminuída numa situação corriqueira? Com vontade de sumir?



6 de agosto de 2020. 10 minutos antes da hora marcada eu estava pronta em casa, conferindo todos os itens da minha lista e aguardando a ligação da médica para iniciarmos a consulta virtual. Eu marquei uma consulta com intenção de fazer um checkup e deixei isso claro com a atendente no momento do agendamento.


Sempre gostei de listas, pois elas me ajudam a não esquecer nada importante. E agora elas têm uma função a mais: elas servem de "pesca", principalmente quando preciso usar uma linguagem técnica durante uma conversa, numa língua que ainda não tenho fluência.


A consulta já começou de forma errada. Mas o que pode dar errado numa consulta médica? Tudo! Junte a falta de habilidade em criar empatia com a falta de fluência na língua e o resultado pode ser desastroso!


Preparei uma lista com os exames que gostaria de fazer, baseada no meu último check up há 2 anos e nos sintomas que estava sentindo ultimamente, para conversar com a médica e saber a opinião dela. Mas para minha surpresa, ela não demonstrou qualquer interesse em me ouvir. A única coisa que parecia preocupá-la era o fato de eu, uma simples paciente, que mal fala a língua dela (inglês ou medicina?), ter tido a audácia de vir com uma lista de exames para discutir com a expert.


E o que você faria numa situação dessas? Eu te digo sem sombra de dúvidas, que se falássemos a mesma língua em pé de igualdade, eu resolveria facilmente essa situação. Tentaria um diálogo respeitoso e educado, explicando as minhas motivações (eu sempre prefiro essa opção) ou simplesmente solicitaria que os exames fossem prescritos. Afinal, a paciente sou eu, o plano de saúde e o bolso são meus! Adivinhe o que aconteceu?


Ela se sentiu ofendida por eu querer discutir sobre os exames e eu me senti humilhada por ela me ignorar! Certamente isso não aconteceria num país onde eu tivesse o domínio da língua, a exemplo do Brasil (meu país de origem) e da França (meu país de coração, onde vivi por 4 anos). Se há uma coisa que eu sei fazer muito bem é me comunicar de forma clara e assertiva! Sem qualquer desconforto. Conflito nunca foi um problema pra mim. Sempre fui uma mulher forte e decidida, mas hoje me senti uma menina vulnerável e insignificante.


Eu entendo que os sistemas de saúde dos países são diferentes. Eu entendo que a relação médico x paciente também é diferente. Eu entendo que pode ser difícil pra quem trabalha com foco na doença ter foco na prevenção. No entanto, eu nunca vou entender a postura de um médico ou de qualquer profissional que trabalhe com pessoas não estar interessado em ouvi-las. Em entendê-las!


Apesar de sair do consultório com os exames prescritos, eu não consegui estabelecer uma conexão com a médica. Eu tenho muito respeito pelas pessoas e sei o quanto de esforço ela fez pra chegar onde está, mas isso não dá lhe o direito de se achar superior a ninguém. A quem um paciente recorre quando está preocupado com a saúde ou tem um problema? Pra mim essa situação foi um perde x perde!


Quando entrei no carro, desabei! As lágrimas corriam compulsivamente pela minha face. E não sou uma pessoa chorosa. Ao contrário, choro pouco, apesar de me emocionar muitas vezes. E não gosto que as pessoas me vejam chorando. Nunca gostei. Chorar é muito íntimo pra mim. É como se eu estivesse nua e esse é o tipo de intimidade para poucos. Por isso, quando cheguei em casa, tentei me controlar. Mas quando meu marido perguntou o que aconteceu, caí no choro novamente.


E me dei conta que a razão do choro não foi somente a consulta. É lógico que o fato de eu não ter fluência na língua me deixa vulnerável e desconfortável, mas não é só isso! É duro estar recomeçando mais uma vez. Ter que me reinventar aos 48 anos, quando apesar de me sentir na melhor fase da minha vida, física, emocional e profissionalmente, as pessoas e o mercado não me veem assim. Não é fácil saber que não tenho um passado aqui e por isso as pessoas não estão interessadas em minha experiência. É muito difícil ter que ficar estudando regras gramaticais enquanto minha cabeça está transbordando de ideias e o que eu realmente gostaria de estar fazendo é colocando-as em prática. É doloroso me sentir sem referências e isolada, apesar de fazer parte de uma comunidade brasileira maravilhosa!


Isso tudo me fez sentir quase invisível. Microscópica. E foi aí que eu decidi que nunca mais quero sentir isso novamente. E mesmo tendo um milhão de desculpas que me permitam não sair do lugar, resolvi criar um espaço para que eu e você possamos nos sentir apoiadas e respeitadas. Independente dos motivos que te levam a sentir assim.


Um espaço onde possamos falar das mudanças que a idade está nos trazendo. Um espaço seguro e com conteúdos de relevância que possam nos ajudar a ter uma vida com propósito. Um espaço onde nos encoraje a realizar nossos desejos e sonhos. Um espaço onde possamos dar voz aos nossos pensamentos, mas também possamos aprender com as experiências alheias. Onde possamos falar de saúde, menopausa, bem estar, relacionamento, sexo, carreira, maternidade e finanças. Onde também possamos falar de lazer e de pequenos prazeres. Um espaço onde encontremos incentivo, suporte, força e união. Sem julgamentos! Enfim, uma comunidade feminina onde possamos nos apoiar, compartilhar experiências e nos impulsionar para o próximo nível!


Esse espaço tem nome: #naw – no apologies women. Uma comunidade digital, para mulheres maduras, com conteúdos de muita relevância. Seja bem vinda!


Créditos Fotos:

Capa: Foto Mix por Pixabay

Post: Jul Chi por Pixabay