Ano sabático aos 40

Eu me lembro quando ouvi pela primeira vez de um amigo: “estou pensando em tirar um ano sabático pra estudar inglês. Quero fazer uma imersão pra ter a experiência completa.” A sensação que eu tive é que ele vivia num universo paralelo. Quando na vida, eu, casada, com 2 filhos pequenos poderia pensar numa coisa dessas? Nem perdi meu tempo imaginando pra frustração não ser do tamanho da minha imaginação.


Sempre tive que ralar muito pra poder ter uma vida decente. Não estou falando de luxo! A economia brasileira nunca me permitiu fazer pausas na minha vida profissional. Até pra fazer transição de carreira, tive que “trocar o pneu com o carro andando”. Lembro de uma determinada época da minha vida em que eu trabalhava numa multinacional, gerenciando uma equipe de vendas grande, fazendo MBA, curso de inglês, meu 2º filho recém nascido (meu filho mais velho com 2 anos) e eu resolvi mudar de área. Sem folga!


Quando eu fui morar na França, em 2014, me surpreendi com a maneira que esse assunto era tratado em toda a Europa. É muito comum entre os jovens, parar 1 ano e, na maioria das vezes viajar, pra decidir que direção seguir antes de ingressar na carreira profissional. Muitos embarcam para outros países, a fim de imergir na cultura, aprender outro idioma, ter novas experiências e trabalhar para pagar essa conta.


Eu tive a oportunidade de conversar com vários jovens desses e eles normalmente adoravam a experiência! E muitas vezes até mudavam o caminho que tinham decidido antes de embarcar nessa aventura (quando tinham essa clareza!). E uma coisa é certa: eles voltavam felizes, abertos para novas oportunidades e mais maduros, pois tiveram a oportunidade de se virar sozinhos e cheios de histórias pra contar, que alimentavam a alma deles por um bom tempo!


E eu fico aqui com meus botões pensando como seria enriquecedor se tivéssemos uma oportunidade dessas numa idade mais madura. Não temos mais todo o tempo do mundo e nem estamos dispostos a nos aventurar de qualquer forma. Mas temos desejos guardados em nossos corações que nos fariam rejuvenescer se conseguíssemos realizar. Tanto no âmbito pessoal quanto profissional. E o que nos impede então?



Normalmente nessa fase da vida já estamos com a vida financeira um pouco mais organizada, nossos filhos já não dependem tanto de nós e com a nossa experiência de vida já sabemos nos virar muito bem! Claro que não dá pra largar tudo de uma hora pra outra e embarcar numa aventura, sem se planejar para tal, mas não é esse bicho de 7 cabeças que muitas vezes achamos que é.


Em 2016 eu estava em Londres a passeio e encontrei um amigo brasileiro, médico, que não via há anos. Toni decidiu dar um tempo para respirar do dia a dia de hospitais e consultórios e morar 1 ano na capital inglesa, aprimorando o idioma, viajando pela Europa e tendo uma experiência de trabalho completamente diferente do que ele viveu nos últimos 25 anos. Como ele sempre gostou da vida noturna e do agito de cidades grandes, resolveu trabalhar como bartender em um Night Club. Ele se planejou para viver essa experiência e quando teve a oportunidade, não pensou 2 vezes. Fiquei muito feliz ao vê-lo se despindo de uma realidade cercada de pressões, responsabilidades e status e se permitindo realizar um sonho!


Assim como Toni, conheço algumas outras pessoas, inclusive mulheres (solteiras, divorciadas e casadas - algumas até com filhos adolescentes) que decidiram e embarcaram nessa aventura na maturidade. E, apesar de nem sempre a decisão e a operacionalização serem fáceis, sempre vale à pena! Assistam ao vídeo abaixo e vejam como foi a experiência de Luina.



Há 7 anos, meu marido recebeu uma proposta para mudarmos de país e aceitamos imediatamente, pois queríamos muito ter uma experiência internacional. Minha carreira profissional ficou de lado por muito tempo, mas aqui estou eu vivendo um sonho que sempre tive: morar em outros países, conhecer novas culturas e falar outros idiomas. Os desafios são enormes, os aprendizados também e o saldo é extremamente positivo!


O seu sonho talvez seja totalmente diferente do sonho do Zeca, mas certamente toda vez que ele vem à tona, seus olhos brilham! E é pra isso que vivemos também! Pra realizar sonhos! O que levamos da vida? As nossas experiências e as relações que cultivamos. Por isso não deixe seus sonhos morrerem! Ainda que você não possa se dar ao luxo de tirar um ano inteirinho, se permita a viver por um tempo algo que seu coração deseja. Sua alma agradece!