De repente 50!


Quando eu era pequena, ouvia tanto falar que no ano 2000 o mundo acabaria que eu tinha certeza que não passaria dos 28 anos. E apesar de ser pouca idade, para uma criança, era uma eternidade.


No final da década de 90, pra quem trabalhava na área de TI como eu (você pode até não acreditar, mas eu cursei Ciência da Computação), o fim do mundo tomou outro rumo (mas continuou deixando muita gente de cabelo em pé!) e mudou de nome para “Bug do Milênio”. Pois bem, em 2000 a minha vida mudou e isso nada teve a ver com Bug do Milênio ou fim do mundo. Me tornei mãe um dia depois de completar 28 anos e daí em diante, nada de pensar em finitude. Afinal de contas, já viu mãe com tempo sobrando pra ficar pensando besteira? Vamos pedalar porque o dinheiro para comprar leite, fralda e pagar escola não vai cair do céu!


Quando completei 30 anos a nossa família ficou completa e as pedaladas só aumentaram. Você já fez as contas de quanto custa cada filho até completar o 2º grau? Quase tive que vender um dos dois no Mercado Livre. Kkkkkk.


Ao contrário da Julia d’Aiglemont, personagem do romance de Balzac, sempre fui bem casada (tenho um parceiro e tanto! Mas vida perfeita só no mundo de Pollyanna), mas não deixei de viver algumas das inquietações vividas por ela. Entre os 30 e os 40, as mudanças são significativas e as inquietações são fundamentais para não nos afundarmos em nossas queridas zonas de conforto. Conciliar filhos, casamento, carreira e ainda querer ser feliz é para poucos! Ainda bem que quando dei por mim já estava na idade da Loba.


Preciso confessar uma coisa pra você, eu estava doida pra fazer 40 anos. Por isso, tratei logo de organizar uma grande festa pra celebrar a data. Sempre achei a mulher de 40 forte, dona de si, livre, misteriosa e muito interessante! Uma mulher que sabe o que quer, apesar de todos os boatos que tentam diminuí-la. A mulherada aos 40 nunca esteve tão satisfeita com a vida profissional e muitas decidiram gerar seus filhos justamente nessa fase da vida, porque se prepararam para isso. A nossa geração foi responsável por essa mudança de comportamento e mentalidade. Isso não é fantástico? Presentão para as próximas gerações.


Um dos maiores aprendizados que tive nessa década foi a importância de sermos flexíveis. É muito comum ouvirmos e muitas vezes falarmos: “eu sou assim, não vou mudar” e há 8 anos me peguei no meio de uma discussão respondendo no calor da emoção “então você já pode morrer”. Não esqueço dos olhos arregalados da minha interlocutora. Já parou pra pensar que estamos aqui pra aprender e evoluir e se partirmos do pressuposto que já sabemos de tudo e não queremos sair desse lugar de certeza já não existe mais espaço para aprendizado e por isso a nossa missão está encerrada? Faz sentido pra você?


Três países diferentes, 3 carreiras diferentes e muitos desafios. Esse foi o resumo da minha década da Loba. Se eu não fosse flexível poderia até não ter morrido de verdade, mas a depressão poderia ser uma constante em minha vida. Ainda bem que eu adoro o novo, adoro mudanças e desafios! Isso não significa que é fácil! É muito trabalhoso, exige muito esforço e dedicação, mas a gente só evolui assim.


O bom é que já nos conhecemos um pouco a esta altura da vida. Entendemos os nossos gatilhos e temos os nossos truques quando o fardo pesa um pouco mais - respiração, meditação, banho de mar, terapia, vinho com as amigas... Aliás, os amigos são fundamentais para que tenhamos uma vida mais plena e feliz. E não sou eu que estou falando isso não. É um estudo da Universidade de Harvard que começou em 1937. A conclusão é que o fator que mais influi no nível de saúde das pessoas não é a riqueza, a genética, a rotina nem a alimentação. São os amigos. “A única coisa que realmente importa é a sua aptidão social – as suas relações com outras pessoas”, diz o psiquiatra George Valliant, coordenador do estudo há 30 anos. Os amigos são o principal indicador de bem-estar na vida de alguém.

Os dois últimos anos foram muito intensos em termos de questionamentos. Até quando os filhos estarão em casa? Vamos ficar aqui nos Estados Unidos mesmo? Como e por onde recomeçar em termos de carreira em outro país? Que preguiça de procurar emprego (ainda mais num lugar onde o mercado não me conhece). Como me preparar em termos de saúde para continuar tendo uma vida ativa e independente? Os sintomas da menopausa são muito chatos. Alteração de humor e de pressão arterial, taquicardia, dor de cabeça freqüente... não tem como ser feliz! E em meio a tudo isso, a pandemia do COVID!


Tenho que agradecer à Nossa Senhora da Maturidade por tanta serenidade. “O que não tem remédio, remediado está”! Não é mesmo? Resolvi focar meus esforços no que posso controlar e mudar. Continuo tentando ajudar meus filhos da forma que posso e tentando prepará-los pro mundo, resolvi cuidar ainda mais da minha saúde física e mental, criei essa plataforma de conteúdo e pretendo transformá-la num negócio rentável, além de disseminar conhecimento de qualidade, continuo cultivando o meu jardim de amigas com muito amor, pois como disse Rita Lee à Zelia Duncan, elas são a minha aposentadoria, tô cada vez mais próxima do meu marido, que é meu grande parceiro de vida e estou tentando tornar a minha vida mais simples. Não vejo outro caminho para a felicidade.


Todo ano avalio o ano que passou e estabeleço as minhas metas para o ano seguinte. Mas dessa vez foi um pouco diferente, afinal o ano novo traria com ele uma década nova. Os famosos 50 anos! “Ele” divide opiniões e é tão polarizado quanto a nossa sociedade atual. Se você não o AMA, você o ODEIA! Sinceramente, como não tenho o mínimo saco para radicalismos, resolvi abrir os braços e dá-lo às boas vindas! Afinal de contas, vamos construir juntos tudo o que está por vir.


Ontem fiquei super feliz com as mensagens, ligações e homenagens pela data. Mas achei engraçado alguns amigos dizendo que eu estava fazendo 50, mas com energia e vitalidade de 30, aparência de 40 (apesar da cabeleira grisalha que resolvi assumir) e por aí vai. A minha resposta foi a mesma a todos. Os 50 são os novos 50! Esqueça a imagem daquela senhora com cara de vovó à moda antiga (tenho amigas gatíssimas na casa dos 50 que já são avós). Nós mulheres mudamos muitos nas 2 últimas décadas. E a menopausa, que parecia um fim, é apenas o início de uma nova fase. Alguns ousam a dizer até que ela é uma adolescência na maturidade.



O meu desejo é viver 100 anos, desde que eu tenha saúde e independência. Ou seja, é um marco muito importante, afinal é o primeiro ano da 2a metade da minha vida (ou pelo menos é o meu desejo). Ele vai ditar o ritmo do que está por vir. E quer saber? Tô super animada! Minha energia está super alta, como sempre foi. Estou cheia de planos, muito feliz e grata com o que conquistei até aqui. Adoro a pessoa que estou me tornando e sei que o caminho de aprendizado é longo. 50 seu lindo, pode me usar!!!!


A propósito, acabei de saber pela minha ginecologista que estou na tão temida Menopausa. Preciso confessar que estou decepcionada (apesar de muito aliviada!). Ela chegou sem fazer barulho. Não senti nada de diferente. Achei que ela faria uma entrada triunfal à La Priscilla, Rainha do Deserto. Mas isso é uma conversa pro próximo texto.