Diário de uma grisalha amadora

Michigan, 17 de junho de 2020

Após 3 meses sem retocar a raiz do cabelo, tive a ideia de colocar xampu a seco (pois a depender do tipo, fica branco assim que coloca) e me fotografar para ver se eu gostaria ou não do resultado. Enviei as fotos para minha mãe pelo WhatsApp e liguei pra ela em seguida.


Eu: oi mamis, tudo bem?

Minha mãe: tudo Dinha, e vc?

Eu: você viu as fotos que acabei de te enviar?

Minha mãe: nossa, ficou diferente! Você pintou? (aposto que vc queria ser uma mosca pra ver a cara dela! kkk).

Eu: Fiz um teste e decidi que vou assumir os cabelos brancos. Não quero mais ficar escrava de tinta

Minha mãe: até que ficou bom (como se o corpo não falasse! kkk), mas eu não tenho estrutura pra isso não.


Michigan, 1º de Julho de 2021

Olá, eu sou Adriana Liberato, tenho 49 anos, sou casada, tenho 2 filhos de 18 e 21 anos, sou brasileira e moro atualmente nos Estados Unidos.


Sempre amei meu cabelo e acho que a cor natural dele combina demais com meu tom de pele e olhos. Nunca fui adepta a salões de beleza nem a secadores. Sou do tipo que lava o cabelo e sai com ele molhado até hoje. Porém, para manter a cor natural, preciso recorrer à tinta a cada 30 dias (isso porque na última semana já estou usando aquele spray de cobrir a raiz, que sai quando lava). Além de não ser prático, estraga muito o cabelo. Hoje tenho 1/3 do cabelo que tinha antes de começar a pintar.

Quando ficamos confinados devido à Covid-19, no ano passado, resolvi não pintar por uns 3-4 meses porque achei um colorista maravilhoso na Califórnia - @jackmartincolorist (estávamos de viagem marcada pra lá e o meu plano era marcar um horário com ele), que consegue deixar qualquer cabelo do mesmo tom da raiz, em apenas 1 dia. Para isso, é necessário deixarmos a raiz crescer, pelo menos, 3 dedos. E eu deixei. Mas quando percebi que o confinamento seria muito mais longo do que havíamos imaginado e a viagem subiu no telhado, eu mesma tonalizei. Não estava mais suportando me ver com o cabelo de várias cores (preto, branco e 50 tons de castanho)!


Pois bem, a última vez que pintei o meu cabelo foi no dia 22 de março deste ano. Ou seja, 3 meses sem tinta. Estava fazendo um teste de paciência comigo. E dessa vez eu decidi que, independente de colorista, vou assumir a nova cor. Se eu for pra Califórnia ou descobrir um profissional por aqui que também faça esse tipo de coloração, eu agendo (assim não tenho que ficar negociando comigo todos os dias para manter esse cabelo policromático). Caso contrário, vamos seguindo assim.

Sabe o que é engraçado? Até pouco tempo atrás eu só me imaginava grisalha quando estivesse bem mais velha. Mesmo porque, pelos padrões estéticos que fomos acostumadas, assumir os cabelos grisalhos é sinal de desleixo. E se tem uma coisa que nunca fui é desleixada (olha o conflito interno)! Você também já cansou de ouvir que só as mulheres jovens podem ter cabelo grande? Eu faço o quê com essa informação minha gente? Ainda bem que sempre fui rebelde! Rumo aos 50, com cabelo grisalho e enorme!


E não é que essa tal de maturidade serve pra alguma coisa! Hoje dou risada com a reação da mulherada quando digo que não vou mais pintar o cabelo. Tenho pena das adolescentes... Onde está a tal da sororidade? Brincadeiras à parte, como somos influenciadas pela pressão estética, sem perceber. Precisamos estar sempre com uma aparência jovem e como o cabelo branco é um sinal de envelhecimento, a maioria das mulheres tem verdadeiro pavor! Como se envelhecer não fosse um processo natural da vida que começa desde o momento que nascemos.


Quem disse que precisa abrir mão de si mesma em termos de aparência só porque resolveu assumir o cabelo grisalho? É claro que como o cabelo é a moldura do rosto, precisamos ter uma atenção especial quando estamos mudando de corte ou de cor. Talvez seja interessante adaptar a cartela de cores (roupas, acessórios, maquiagem) para evitar uma aparência pálida. O fato é que não vou deixar de agir como sempre agi porque resolvi “grisalhar”.



É claro que me conhecendo, tenho certeza que vai ter dias que precisarei usar o tal do spray pra não cair na tentação do tonalizante, mas vou encarar. E se não gostar do resultado, não vou pensar 2 vezes em voltar a pintar. Afinal de contas, sou livre pra mudar de ideia!


Vou aproveitar esse espaço para dividir com vocês o meu processo de transformação. Não tenho a pretensão de influenciar ninguém. Cada um tem seu tempo e suas preferências. Não acho que cabelo branco é pra todo mundo. Vou me surpreender se a minha mãe parar de pintar algum dia. Mas se você tem vontade de arriscar e não tem coragem, "tamo" juntas!