De onde você tira energia quando precisa?


Passei quase todo o ano de 2020 no Brasil. O calor e alguns lugares muito pouco movimentados na cidade deixavam a pandemia um pouco mais afastada.


Revivi coisas totalmente fora de hábito, mas que dizem muito sobre o quem eu sou. Comprei pãozinho e café "pra viagem" e fui comer no banco da praça deserta, que há 30 anos não me via por ali. Também almocei pastel e guaraná em outra. Não tinha conforto, mas tinha a liberdade da simplicidade. Fez parte da minha busca pelo bem estar em meio ao caos.


No verão daqui dos Estados Unidos, tenho o habito de carregar no carro cadeiras de praia porque, inesperadamente, você pode passar por um parque com uma bandinha tocando ao vivo, e aí já tem tudo o que precisa pra parar e apreciar.


Fiz o mesmo nesse período no Brasil. Comecei a carregar a cadeira de praia e um bom livro, pro caso de encontrar uma área verde, com possibilidade de distanciamento social, é claro! Essas eram as minhas válvulas de escape pra lidar com o isolamento. Encontrar lugares seguros e isolados, em que eu pudesse estar ao ar livre.

Meu trabalho é ajudar pessoas sobrecarregadas a construir uma rotina fluida para que elas tenham mais qualidade de vida e satisfação.


A propósito, em minha rotina não pode faltar ar. Eu preciso caminhar ou correr na rua. Eu preciso sentar na porta de casa e tomar ar fresco. Mesmo com dificuldade em me adaptar ao frio intenso de Michigan, quando a temperatura marca 8 graus, já estou de tênis, saindo pra correr. E eu aprendi a fazer isso observando tudo à minha volta, atenta ao meu batimento cardíaco, ao movimento do meu corpo e também às dores que podem se apresentar durante o percurso. Algumas vezes escolho desligar os fones de ouvido porque quero ouvir a minha respiração, o vento, os sons mais suaves do entorno.



Estar ao lado de fora me energiza, me renova. Num mundo com fluxo insano de atividades pra serem concluídas, em que tudo é pra ontem e as demandas já nascem atrasadas, passar um tempo ao lado de fora, é a minha rotina de contemplação.


Faz parte de um processo de se observar, se perceber e entender que cada ser humano, em sua singularidade, tem necessidades diferentes. E que pra cuidar da saúde mental, é preciso identificar quais são as coisas, que quando estão em falta na nossa rotina, não resolvemos com aquilo que sobra.


Eventos não programados ou esperados nos acontecem sem pedir licença. Sobre alguns teremos ação, sobre outros não. Mas tem alguma coisa em sua rotina, que se você descobrir o que é, vai te reequilibrar, mesmo diante de tantos desafios. E se você colocar na sua rotina mais dessa coisa você estará se dando uma nova oportunidade de olhar pra esses eventos com criatividade, aceitação e entrega.


Esse é um convite pra você refletir sobre o que, mesmo no caos, não pode faltar na sua rotina.

Me conta aqui.


Jessica Molina


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