Como utilizar a Disciplina Positiva na educação de crianças e adolescentes

“A Disciplina Positiva é uma técnica que visa educar as crianças com firmeza e gentileza, evitando posturas punitivas e ofertas de recompensas.” - Vanessa Martini

Educar não é tarefa fácil! Encontrar um meio termo entre duas pessoas que vieram de famílias diferentes, educadas de forma diferente, com valores diferentes e forma de enxergar a vida diferente, é um grande desafio. E quando adicionamos à influência externa a esse pacote, com uma vitrine extremamente sedutora chamada Rede Social, esse desafio cresce de maneira exponencial.


Ao longo de décadas, psicólogos e pedagogos têm desenvolvido técnicas, programas e ferramentas para ajudar na educação de crianças e adolescentes. Após a 1ª Guerra mundial dois psiquiatras, Dr. Alfred Adler e Dr. Rudolf Dreikurs, após anos de pesquisa e observação constataram que a forma mais eficaz de educar crianças e jovens se dava através de respeito, responsabilidade e resiliência. A partir desse estudo nasceu a disciplina positiva.


Na década de 80 esse estudo ganhou notoriedade, quando a Dra. Jane Nelsen lançou o livro “Disciplina Positiva”, baseando-se nos estudos dos psiquiatras Adler e Dreikurs e tendo como pilar o resgate da educação através do afeto, do exemplo, da compreensão e do respeito.


Cada criança é única e necessita de um olhar afetuoso, uma postura gentil e, ao mesmo tempo, firme e uma disciplina pensada exclusivamente para ela. A disciplina positiva busca educar as crianças com firmeza e gentileza, desenvolvendo senso de responsabilidade, autonomia, cooperação e respeito por si e pelos outros.



A disciplina positiva deve ser praticada desde os primeiros dias de vida da criança, para que ela se sinta conectada com o meio em que vive. À medida que ela for crescendo e se inserindo em diferentes comunidades, ela se sentirá parte das mesmas e se tornará um membro ativo e fundamental para o desenvolvimento dessas comunidades.


Crianças com maior compreensão de disciplina, hierarquia e, principalmente, que entendem a importância do saber, do diálogo e do convívio harmonioso em sociedade – ainda que de forma lúdica e inconsciente – aprendem melhor e mais rápido.


A Disciplina Positiva na Prática


Eu conversei com Fabíola Podolsky, Educadora Especialista em disciplina positiva, que ministra cursos, palestras e desenvolveu um programa de mentoria sobre o tema e esse bate papo resultou numa série de 5 vídeos, que irão ao ar, semalmente, a partir de hoje. Segue abaixo o 1º deles - Disciplina Positiva na Educação de Crianças e Adolescentes.

A disciplina positiva traz uma dinâmica muito prazerosa tanto para as crianças como para os pais, pois torna cada membro da família um protagonista em potencial e reativa as relações de afeto dentro do núcleo familiar sem estresse, chantagens emocionais ou ameaças para conseguir ordem.


“Na prática, abre-se mão de posturas punitivas como castigos, gritos ou o famoso “cantinho do pensamento". Fica de fora também a lógica das ofertas de recompensas para obtenção da mudança de comportamento das crianças. A disciplina positiva traz uma visão de respeito e empatia pelas emoções do outro e também o convite para uma forma colaborativa de solução para as questões do dia a dia.” Keila Tress


Uma das ferramentas pra trabalhar a disciplina positiva é um baralho com 52 cartas com estratégias para melhorar as habilidades dos pais em relação à educação dos filhos.

Eu extraí da conversa com a Fabíola Podolsky algumas dicas práticas que podem ajudar os pais a se relacionar com os filhos, seguindo os princípios da disciplina positiva:

  • Reserve um tempo para a família. É importante haver um tempo dedicado à família, onde todos estejam presentes, sem distrações. Conversar sobre o que aconteceu durante o dia, assistir um filme juntos, escolher um jogo para todos participarem e cozinhar juntos são alguns exemplos de atividades que podem ser feitas em conjunto.

  • Preste atenção quando seu filho estiver falando com você. Ele precisa perceber que e você está interessado no que ele está falando.

  • Demonstre afeto e sempre deixe claro o quanto você o ama e o quanto ele é importante para você. Assim ele se sentirá amado e acolhido.

  • Não se preocupe em demonstrar vulnerabilidade. Quando não souber como lidar com uma situação ou não tiver resposta para uma pergunta, seja verdadeiro com ele. Seu filho precisa ver que não saber não é um sinal de fraqueza.

  • Dê responsabilidades desde cedo a seu filho, de acordo com cada fase da vida dele. Isso vai ser crucial para que ele se desenvolva, crie autonomia e perceba a dinâmica de conviver em sociedade.

  • Não se utilize de recompensas para obter uma mudança de comportamento do seu filho. Seu filho precisa conhecer quais são os seus direitos e as suas obrigações e, como parte integrante da família, ele também tem que contribuir sem ter nada em troca. Isso vai desenvolver nele tanto o senso de responsabilidade, de autonomia e de colaboração.

  • Imponha limites. Afeto e atenção não podem ser confundidos com permissividade. Saiba impor sua presença e sua voz, criando um senso de hierarquia enquanto mantém um tom gentil e firme. Limites são essenciais para moldar a postura e o caráter de uma pessoa, mas sem gritos ou autoritarismo. Converse, explique os “nãos” e abra sempre um canal para o diálogo.



A educação não pode ser encarada como uma corrida de cem metros e sim como uma maratona. Precisamos preparar nossos filhos pra vida. Mas como encontrar um equilíbrio entre afeto e firmeza, para que eles se tornem adultos conscientes acerca de suas responsabilidades, seus papéis nas comunidades em que estão inseridos e sobre a forma de se relacionarem?


Para que a disciplina positiva seja aplicada com sucesso é essencial que toda a família esteja envolvida no processo. A proposta envolve uma mudança de paradigma: migrando de uma cultura autoritária e ancorada no medo para um formato de convivência colaborativa, onde todos são ouvidos, respeitados e desenvolvem um senso de comunidade. Os pais precisam estudar o tema e compreender quais são seus reais impactos e como visualizar a evolução dos filhos e das relações familiares ao longo do tempo. Como cada pessoa é singular, é muito importante observar a personalidade de cada membro da família, seus gostos e interesses e a rotina da casa, a fim de fazer um planejamento que possa ser seguido e que gere bons resultados, sendo confortável para todos.