Desafio dos 100 Dias


23 de agosto de 2021


A primeira coisa que fiz ao pular da cama foi vestir minha roupa de ginástica. Não existia a possibilidade de não fazer atividade física naquela 2ª feira. As semanas anteriores foram super corridas e, quando muito, eu estava me exercitando 2 vezes a cada 7 dias. Então já comecei a semana decidida a ajustar minha rotina. A partir de então, me exercitaria, no mínimo, cinco vezes por semana.


Bastou sentar no computador pra passar um email e quando me dei conta o dia havia acabado. Fiquei tão chateada por não cumprir um compromisso comigo que resolvi me desafiar: a partir do dia seguinte, faria 100 dias de atividade física de forma ininterrupta. Uma das grandes vantagens da maturidade é o autoconhecimento. Saber como funcionamos já é meio caminho andado pro negócio dar certo.


Um estudo na Universidade de Duke revelou que os hábitos são responsáveis por, aproximadamente, 40% das nossas atitudes diárias. Se não criamos bons hábitos, quase a metade dos nossos dias é improdutiva.


O meu objetivo era que a decisão diária de fazer atividade física entrasse em meu “piloto automático” e se tornasse um habito. Só assim eu poderia não só garantir o cumprimento do meu acordo, quanto incorporar definitivamente essa atividade em minha rotina. Afinal, nosso corpo precisa de movimento, principalmente, à medida que envelhecemos. Eu tenho uma meta muito clara em minha vida que é continuar independente e cheia de disposição enquanto eu estiver viva. De nada adianta ter vida longa sem saúde. Já quero começar a 2ª metade de minha vida (em janeiro completo 50 nos) com esse habito criado.


Os benefícios de ter uma rotina de exercícios são inúmeros, tanto em termos físico, mental quanto emocional. Quando nos exercitamos com freqüência, reduzimos as chances de termos doenças cardiovasculares, doenças crônicas (diabetes, osteoporose, hipertensão) e estresse. Além disso, a nossa disposição, o nosso humor, a nossa autoconfiança e a qualidade do nosso sono melhoram muito. E todos esses fatores impactam diretamente em nossa vida e em nossas relações, sejam elas de ordem pessoal ou profissional.


Eu comecei anunciando em meu perfil do Instagram (expliquei as minhas motivações e os meus objetivos) e convidando pessoas a virem junto comigo. O fato de assumirmos um compromisso publicamente nos ajuda a nos manter comprometidos. Além disso, tem gente que muitas vezes não sai do lugar por falta de companhia e o digital propicia isso. Outras pessoas podem se exercitar e só a troca de informações já é um incentivo.


Nas duas primeiras semanas, pra me condicionar, eu decidi andar na rua. Um mínimo de cinco quilômetros por dia, num ritmo acelerado. Como eu adoro música, criei logo uma Playlist. Muitas vezes dava preferência a ouvir um Podcast, um áudio book ou assistir um vídeo. E ao final de cada atividade, postava meus resultados nos stories do Instagram.


Nos primeiros dias é sempre uma alegria. As pessoas estão vendo a sua movimentação e começam a interagir e se animar. Imediatamente você já quer melhorar a sua alimentação e pensa duas vezes antes de “comer besteira”. Aliás, um habito puxa outro e o do exercício físico puxa logo o da alimentação. Como a minha alimentação é saudável, fiz apenas pequenos ajustes, pensando em ter melhores resultados (PS: no meio do desafio, achei que estava exagerando no chocolate e fiz um Detox por 30 dias). Apesar da minha meta não estar relacionada diretamente com o emagrecimento, isso seria uma conseqüência muito bem vinda!


À medida que os dias foram passando, fui incorporando novas atividades. Muitas delas, fazia em casa mesmo (no mínimo 30 minutos de exercício). É possível achar muito conteúdo de qualidade e gratuito no YouTube. Além disso, a convite de uma amiga, integrei um grupo de mulheres que faziam exercício de 2 a 3 vezes por semana. Nos primeiros dias quase morri, pois o meu nível de condicionamento estava muito inferior ao delas. Mas ao final do primeiro mês, eu havia evoluído bastante e o nosso nível já era bem similar.




Mas nem tudo são flores! Viajar e ter que se exercitar não é fácil. O que eu fazia? Levava meu tênis, umas 2 roupas de exercícios e alternava. Quando o hotel tinha academia, me exercitava antes de ir pra rua. Quando não tinha, YouTube de novo. Como eu amo andar para explorar os lugares quando viajo, colocava meu tênis e “pernas pra que te quero” (sempre mais de 10 km/dia, em ritmo de exercício). E quando já era tarde da noite e eu ainda não tinha feito exercício? Corria na esteira de casa (eu voltei a correr após quase um ano parada devido à uma lesão na lombar por causa de corrida), fazia spinning (também em casa) ou exercícios funcionais. O importante era fazer. O meu cérebro e meu corpo precisavam entender que não teria jeitinho a dar.





Confesso que não ver o peso baixando com o passar do tempo deu uma desanimada. Estava sentindo meu corpo diferente, mais tonificado, mais forte e eu me sentia muito mais resistente, porém a balança continuava igual. Até passar dos primeiros 60 dias. Um belo dia, eu estava 3 quilos mais magra! E aí a gente ama, né?


Uma coisa bem legal que aconteceu foi eu participar de uma corrida de 5 quilômetros com o grupo de mulheres. Eu jurava que após a minha lesão na coluna, em 2020, nunca mais eu voltaria a correr. Até porque tenho algumas hérnias na lombar e cervical e tendinite no quadril. A sensação de conseguir uma pequena vitória foi muito boa! A partir dessa prova, voltei a correr, pelo menos, uma vez por semana.


Melhor que isso, só o resultado do meu exame de sangue. Meu colesterol e meu triglycerides baixaram! A minha medica queria que eu tomasse remédio e eu me recusei, pois disse que a mudança que faria em minha rotina iria me trazer o resultado que eu queria. Não deu outra!

Durante esses 100 dias, eu peguei uma virose e em um dos dias eu fiquei muito mal. Passei o dia praticamente na cama. Esse foi o único dia que me permiti não fazer nada. Eu precisava respeitar o meu corpo. Mas no dia seguinte, mesmo mal, eu andei.


No dia que o Desafio dos 100 Dias acabou, foi um alívio! Não via a hora de parar por um dia, de não precisar prestar contas. Mas no dia seguinte já acordei pensando “como ontem eu não fiz exercício, hoje tenho que fazer.” Esse era o resultado que eu queria quando comecei. Criar o habito.


Se pudesse te dar um conselho, seria “Comece hoje”, dentro das condições que você tem e vá evoluindo. E busque atividades que te dêem prazer. Isso vai facilitar a sua vida. A zumba foi a minha maior companheira durante esses 100 dias.


Estou indo pro Brasil de férias e meu tênis e roupas de malhar têm espaço garantido em minha mala. Já estou pensando no Desafio de Atividade Física para 2022.


E você, quando se desafiou pela última vez?